sábado, 23 de janeiro de 2010

Menino com agulhas no corpo recebe alta

Da Agência Estado

O menino de 2 anos e 8 meses, cujo padrasto inseriu em seu corpo mais de trinta agulhas durante rituais de magia negra, em Ibotirama, a 668 quilômetros a oeste de Salvador (BA), recebeu alta médica nesta sexta-feira (22), do Hospital Ana Neri, na capital baiana, após passar 36 dias internado na unidade. Ele deixou o hospital ao meio-dia e viajou em avião fretado pelo governo baiano a Barreiras, no extremo oeste da Bahia, de onde seguiu para a cidade onde mora.

De acordo com a equipe médica do hospital, a criança não precisa mais de intervenções cirúrgicas ou medicamentos e tem todas as funções orgânicas normais. "Nossa maior preocupação, agora, é com a saúde psicológica desse menino", afirma a coordenadora de Cardiologia Pediátrica, Isabel Guimarães. "Elaboramos um programa de acompanhamento ambulatorial e psicológico dessa criança, que vai ser realizado tanto no Hospital Ana Neri quanto no Hospital do Oeste (em Barreiras)." Em 30 dias, está previsto o retorno do menino para Salvador, para passar por uma bateria de exames.

Segundo Isabel, as três cirurgias realizadas no menino removeram todas as agulhas que haviam sido inseridas inteiras na criança - total de 22. "Havia também diversos fragmentos de agulhas, dos quais cinco continuam no corpo do menino, mas que não oferecem nenhum tipo de risco à saúde dele", garante.

Antes de deixar o hospital, a mãe da criança, Maria Souza Santos, de 38 anos, agradeceu o apoio da população, o esforço dos médicos e os presentes que recebeu - dezenas de brinquedos. Também disse não ter interesse em perdoar o ex-companheiro Roberto Carlos Magalhães, que confessou ter inserido as agulhas na criança. "Como é que vou perdoar o assassino que queria matar meu filho?", argumentou.

Magalhães foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio qualificado, junto com sua suposta amante, Angelina Ribeiro dos Santos, que nega ter participado do crime. Os dois estão detidos em delegacias de municípios do oeste baiano. As penas previstas para o crime vão de 4 a 20 anos de prisão.

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Trote violento leva candidato para hospital

Do BemParaná

O jovem João Francisco, 17 anos, passou no curso de Geografia no concurso do Vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas durante o trote teria sido obrigado a ingerir bebida alcoolica. Engasgado, ele foi solto por veteranos que, segundo testemunhas, o seguravam para que ele bebesse. Ele bateu a cabeça no chão e foi encontrado desacordado pela mãe em meio a convulsões.

A mãe Maria Lucia de Medeiros contou que o filho ligou para ela para contar que havia sido aprovado. Ela disse que iria até o Campus para comemorar com o filho. Chegando lá viu o filho desacordado e o levou para o hospital. O menor ficou internado e teria acordado apenas as 10 horas da manhã deste sábado.

Segundo as informações da UFPR, o trote foi organizado pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) e cerveja teria sido liberada para a comemoração. A diretoria da UFPR informou que irá investigar a violência verificada no trote.

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Plano desagrada até a religiões afro-brasileiras

Da Agência Estado

O Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa, cujo lançamento foi adiado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para evitar problemas com católicos e evangélicos no ano eleitoral, também não agradou a adeptos das religiões afro-brasileiras, que o consideraram decepcionante.

"Você dá concessões de rádio e televisão para os neopentecostais e me dá cesta básica e mapeamento? Eles vão usar o rádio e TV para me atacar, me chamar de demônio. Isso é desigual", reagiu Ivanir dos Santos, integrante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro.

Para ele, o adiamento do anúncio - relevado ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo - se deu também pela recepção fria que o plano teve dos credos que supostamente seriam beneficiados. "Não queremos um plano que só fale em assistência, queremos um plano que dê poder", afirmou.
Santos, que teve acesso ao plano e chegou a ser convidado para ir a Brasília participar de seu lançamento, cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a realização de uma reunião da comissão com ministros para discutir a proposta. O encontro, afirmou, foi prometido por Lula aos ativistas em 20 de novembro de 2008, Dia Nacional da Consciência Negra, mas ainda não ocorreu.

"Quero um plano, quero contribuir para um plano, mas um plano para valer", afirmou ele, reclamando da falta de outras medidas. "Pergunta o que tem no Orçamento da União para implantar a Lei 10.639/203, que ordena o ensino de história da África nas escolas: nada. Quem mais se opõe a isso são os neopentecostais, dizendo que vão ensinar macumba nas escolas", disse.

No fim da tarde, a comissão lançou nota lamentando o adiamento. "Já que o Estado é laico, nada mais comum e natural que o tratamento dispensado a todas as religiões seja igualitário", diz o texto, que também cobrou a reunião prometida pelo presidente.

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Lula diz que metrópoles terão prioridade no PAC 2

Da Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que as regiões metropolitanas do País vão receber atenção especial do governo na elaboração de obras da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que será lançado em março. Sem citar os projetos que poderão ser realizados, Lula reiterou a necessidade de fazer programas conjuntos com prefeituras e governos estaduais para evitar que as chuvas castiguem a periferia das grandes cidades.

"Não é possível que a cada mês de janeiro, fim de dezembro e carnaval a gente veja cidades inteiras ruírem por conta d'água", afirmou Lula, durante a inauguração da nova sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindpd), na capital paulista. "O mais importante do PAC 2, companheiros, é uma coisa que eu acho que é prioridade: nós precisamos trabalhar com muito carinho os problemas das regiões metropolitanas deste País."

Lula evitou responsabilizar prefeitos ou governadores pelas tragédias que assolaram a Região Metropolitana de São Paulo e Angra dos Reis (RJ) durante os últimos dois meses, mas afirmou que é preciso que os governantes assumam responsabilidades.

"Não sou daqueles que culpam as pessoas com facilidade. Muitas vezes, existe culpa gerencial porque se sabe onde vai encher e se poderia resolver, mas a gente sabe também que é uma coisa que custa muito caro e, portanto, não vou jogar pedra em nenhum prefeito ou governador. Eu acho que é uma coisa em que se tem que assumir compromissos conjuntos. Não é um problema de ninguém. É um problema nosso", afirmou. "Temos de tratar esses fenômenos da natureza como fenômenos da natureza. Se chove em uma hora aquilo que era para chover em 20 horas, alguma coisa vai acontecer."

Pouco antes de iniciar seu discurso, Lula, que falou logo depois da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que a ministra estava bastante "palanqueira". Mais tarde, sem citar o nome da ministra, mas claramente se referindo a ela, disse que vai deixar o PAC 2 preparado para o próximo presidente, inclusive com dinheiro do orçamento direcionado para os investimentos.

"Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito. E quem vier depois de mim - e eu, por questões legais, não posso dizer quem é, e espero que vocês adivinhem - já vai encontrar um programa pronto com dinheiro no orçamento", disse, sob risos e aplausos do público que participava da inauguração da nova sede do sindicato.

Dilma foi saudada pelo movimento sindical como sucessora de presidente Lula. O presidente da entidade, Antonio Neto, ao lado do presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, e do presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho, disse que os trabalhadores não vão permitir um retrocesso nas eleições deste ano.

"Nós não recuaremos do momento em que estamos. Não cederemos um milímetro", afirmou Neto. "O exemplo do Chile nos alertou: a esquerda dividida perde a eleição. A esquerda unida ganha a eleição. Nós vamos fazer uma unidade ímpar e vamos eleger o sucessor do presidente da República que possa dar continuidade ao compromisso que ele tem. E as centrais já têm um nome, presidente, e esse nome é Dilma Rousseff. Isso é unânime nas centrais. As centrais já decidiram. Não vamos permitir o retrocesso."

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Cancelada titularidade de 7.828 cartórios de todo País

Do Paraná-OnLine

Decisão da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), publicada ontem, declarou a vacância de 7.828 serventias extrajudiciais no País, determinando a realização de concurso público para o provimento destas serventias em seis meses, conforme determina a Constituição.

A decisão, assinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, tem como base a Resolução 80 do CNJ, que prevê a vacância dos serviços notariais e de registro ocupados em desacordo com a Constituição Federal de 1988, que determina a realização de concurso público. “Estamos cumprindo a Constituição”, afirmou o ministro.

De acordo com o CNJ, a situação de cada cartório foi analisada de forma individualizada, a fim de se garantir a observância dos direitos preservados pela própria Constituição Federal e de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

O órgão alerta de que eventuais impugnações contra a decisão poderão ser apresentadas à Corregedoria Nacional de Justiça no prazo de 15 dias. A Corregedoria do CNJ informou ainda que todos os cartórios, inclusive aqueles incluídos na relação provisória de vacâncias, continuam prestando os serviços regularmente até a posse de novo delegado aprovado em concurso público.

No Paraná, foram declarados vagos 420 cartórios, o que representa 35% das 1.200 serventias extrajudiciais do Estado. Em visita ao Paraná, em novembro do ano passado, o ministro Dipp comentou que o número de cartorários sem concurso, “contrariando a Constituição e a Resolução do CNJ”, era um dos problemas mais graves do Judiciário paranaense.
O vice-presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná (Anoreg), Robert Jonczyk questionou a decisão que, para a Anoreg, fere os princípios constitucionais da segurança jurídica e da proteção à confiança.

“Ninguém assumiu serventia ilegalmente. Eles estão lá há mais de 20 anos, conduzidos em processos legais reconhecidos pelo Poder Público e pela sociedade”, disse, lembrando que as nomeações foram feitas pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça (TJ).

Jonczyk alegou que são poucos os casos de cartorários designados sem concurso no Paraná, que a maioria dos casos em que o CNJ determinou vacância são referentes a permutas entre concursados ou à remoção, quando o cartorário de uma serventia menor passar para uma maior vaga.

“Nesse caso, o TJ realizava análise de títulos entre os interessados, mas, agora, o CNJ também determinou concurso para a remoção”, explicou. O vice-presidente da Anoreg prevê uma série de ações nos tribunais superiores para discutir, caso a caso, a vacância dos cartórios.

Em nota, o TJ informou que “vai cumprir a decisão da Corregedoria Nacional da Justiça, conforme recomendações e prazos. Ou seja: os concursos para preencher as vagas dos cartórios extrajudiciais serão realizados em até seis meses”.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Instabilidade política e pobreza marcam a história do Haiti

Da Redação Yahoo!Brasil

Colônia da França no Caribe, o Haiti era mais uma peça do sistema mercantilista da Idade Moderna. O país - arrasado por um terremoto de 7 graus na Escala Richter, em 12 de janeiro deste ano - era grande produtor de açúcar, enquanto consumia os produtos e engordava o caixa da metrópole. O impacto da Revolução Francesa de 1789 deu fôlego a movimentos pela libertação do Haiti.

A singularidade da independência do Haiti - primeira república negra do mundo e a segunda das Américas, após os Estados Unidos - está no fato de ter sido conquistada por um movimento de escravos, tendo à frente o líder negro Toussaint Louverture, em 1804. Após a prisão de Louverture por tropas francesas, Jean-Jacques Dessalines passou a liderar a nação e ajudou a consolidar a independência.

Na sequência, 70 ditadores diferentes comandaram o país. Em 1915, o presidente americano Woodrow Wilson enviou tropas para tentar restabelecer a ordem no Haiti. O país foi ocupado por 20 anos. Depois disso, novos ditadores tomaram o poder. O mais célebre - e sanguinário - foi François Duvalier, o Papa Doc. Eleito em 1957, perseguiu a Igreja Católica, reescreveu a constituição em 1964 e se declarou presidente vitalício. Morreu em 1971 e foi substituído pelo filho de 19 anos, Jean-Claude, o "Baby Doc".

Ele ficou no poder até 1986, quando, diante de imensa pressão popular, declarou estado de sítio e asilou-se na França. Diversos golpes de estado vieram a seguir. Em 1990, eleições livres foram realizadas e vencidas pelo padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide. Ele acabou deposto em novo golpe no ano seguinte.

Em 1993, a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OEA (Organização dos Estados Americanos) impuseram uma série de restrições econômicas ao Haiti, visando a retomada das negociações para a volta da democracia. Em setembro de 1994, uma força multinacional, liderada pelos Estados Unidos, entrou no Haiti para reempossar Aristide. Os chefes militares haitianos renunciaram a seus postos e foram anistiados. Mas a instabilidade política persistiu.

Em 2004, conflitos armados se instalaram no norte do país e rebeldes ameaçaram tomar a capital. Aristide deixou o governo, asilando-se na África do Sul. Considerando que a situação no Haiti ainda constitui ameaça para a paz internacional e a segurança na região, o Conselho de Segurança da ONU decidiu estabelecer a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) em junho de 2004. Sob liderança do Brasil, o efetivo autorizado para o contingente militar é de mais de 7 mil homens de países como Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Equador, Estados Unidos, França, Filipinas, Guatemala, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Sri Lanka e Uruguai.

Dos quase 9 milhões de habitantes, 80% vivem abaixo da linha da pobreza. O açúcar, principal produto de exportação desde o século 17, perdeu espaço com a concorrência de outros países exportadores, como o Brasil. Nos últimos anos, empresas multinacionais, principalmente têxteis, se instalaram no Haiti atrás de mão de obra barata.

O Haiti aparece no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) relativo a 2008 na 148ª posição, sendo a nação mais pobre das Américas, com uma expectativa de vida de 60,78 anos e analfabetismo atingindo 52,9% da população.

No ano passado, o Haiti foi bastante afetado por furacões e tufões, que destruíram parte da já combalida infraestrutura local. Também foi um dos mais atingidos pelas altas recentes nos preços dos alimentos por todo o mundo, o que provocou uma série de protestos da população local em 2008.

Haiti em números

Área: 27,7 mil km2

População: 9 milhões

Língua oficial: francês e crioulo

Religião: católica, protestante e vodu

Independência: 1º de janeiro de 1804

Expectativa de vida: 60,7 anos

Moeda: gourde

PIB: US$ 11,5 bilhões

População abaixo da linha da pobreza: 80%

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Doenças e saques viram o novo problema do Haiti

Da EFE/Jesús Sanchis

Organizações internacionais começaram a identificar o surgimento de doenças em Porto Príncipe, onde os trabalhos humanitários continuam e os comerciantes do centro da cidade tentam desesperadamente salvar suas mercadorias dos saqueadores.
Infecções respiratórias, diarreias, problemas dermatológicos e casos de tétano e meningite já foram detectados, disse a representante de Saúde da Cruz Vermelha no Haiti, Beatriz Karottki.

Passados dez dias desde o terremoto, diminuiu um pouco o número de feridos com traumatismos e órgãos a serem amputados. Por outro lado, começaram surgir problemas de saúde relacionados a desidratação e infecções, comuns após grandes catástrofes.

O dia a dia em Porto Príncipe também começa a voltar ao normal. O comércio abriu as portas, equipes de limpeza já trabalham em algumas localidades e, após dias de ajuda no socorro às vítimas, até as forças de paz da ONU estão retomando sua atividade principal: a segurança.

No centro da capital, porém, alguns comerciantes, com medo da onda de saques, decidiram esvaziar seus estabelecimentos e levar toda a mercadoria para outro lugar.

Por causa do terremoto da semana passada, centenas de pessoas reviram todos os dias as lojas destruídas da parte central de Porto Príncipe em busca de algo para comer ou vender.

Michel, dono de um armazém que vende tecidos, brinquedos e artigos para o lar, levou hoje um de seus empregados para esvaziar o local, caso contrário o estabelecimento em breve virará alvo dos saqueadores.

Enquanto ajudava a colocar as mercadorias em um caminhão estacionado em frente à loja, Michel manifestou seu mal-estar em relação à passividade da comunidade internacional diante das cenas de roubo, saques e violência.

"Eu esperava que a ONU fosse enviar ajuda para dar segurança a esta região, mas, dez dias depois (do tremor), só há uma patrulha da Polícia estacionada na entrada da rua", comentou o comerciante, que do seu armazém via grupos de jovens saindo de estabelecimentos próximos carregados de produtos roubados.


"Isto é muito duro. Não tenho nenhum projeto nem sei o que vou a fazer. Esta frustração nos desmotivou. A única coisa que posso fazer é tirar o que há dentro do armazém", disse o lojista, que há 30 anos ocupa o mesmo ponto.

Vários outros comerciantes tomaram a mesma decisão que Michel e levam embora suas mercadorias para evitar que sejam roubadas.

"Se não tirarmos, olha o que acontece", disse outro empresário apontando para o alto, onde um grupo percorria o teto de seu estabelecimento em busca do que quer que seja.

Mas, ao contrário de Michel, este comerciante, que preferiu não se identificar, não tem críticas contra a polícia, que "faz o que pode".

"Mas quem me vai me dar crédito nestas circunstâncias? A menos que a comunidade internacional conceda financiamento (...). É muito difícil recomeçar", reclamou o atacadista, que vendia materiais para a fabricação de sapatos.

Quando parados pela polícia, os saqueadores dizem que o que carregam em suas bolsas é de sua propriedade. Mas, em uma destas interceptações, quando os agentes foram embora, um grupo admitiu que os perfumes, cremes e cosméticos que transportavam eram de lojas da região.

Os saqueadores estão por todos os lados, rastejam pelos buracos entre os escombros e percorrem os tetos dos estabelecimentos.

Em um deles, três jovens que não quiseram dar seu nome reconheceram que estavam em busca de algo para roubar. Porém, disseram que hoje foi um dia ruim, já que não encontraram muita coisa. A conversa acabou de repente, quando dois estampidos foram ouvidos e todos começaram a correr de disparos da "polícia má", como outro jovem se referiu às forças de ordem.

Jean Martín, de 22 anos e com o rosto coberto até os olhos, disse que não há nada a fazer, a não ser revirar os escombros em busca de algo.

"Tenho muitos problemas. Sinto fome. Você entende? Tenho que salvar minha vida. Minha mãe morreu no terremoto, meu pai está desaparecido e agora estou só", declarou.

"Aí (debaixo dos escombros) há muita coisa: comida, roupa..., o que quiser. A polícia não causa problemas (porque) sabe que temos que comer", acrescentou.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Cristina Kirchner cancela viagem à China por não confiar em seu vice

Do Estadão/Ariel Palacios

Visivelmente irritada, a presidente Cristina Kirchner anunciou ontem o cancelamento de uma importante viagem à China e outra à Bolívia porque não pretende deixar a presidência - mesmo que temporariamente - nas mãos de seu vice, Julio Cobos, ao qual chamou de "líder da oposição", além de acusá-lo de "obstruir medidas" do governo.

Cobos rompeu com a presidente há 18 meses. Gradualmente o vice passou às fileiras da oposição, da qual atualmente é o presidenciável melhor cotado. "Essa viagem me obrigaria a ficar dez dias fora, tempo muito, levando em conta que o vice-presidente não cumpre seu papel", disse Cristina. Segundo ela, Cobos poderia aproveitar sua ausência adotar alguma medida que "tenderia a desestabilizar" o país. Especulava-se ontem em Buenos Aires se a presidente deixará de viajar ao exterior para evitar que Cobos ocupe a presidência nos dois anos que restam de governo.

Nos últimos dias o protagonismo de Cobos cresceu com a crise desatada pela tentativa de intervenção da presidente no Banco Central, que havia destituído por decreto o presidente do BC. A medida foi cancelada pela Justiça.

Com a suspensão da viagem fica cancelada a missão empresarial que acompanharia a presidente à China, o terceiro maior mercado das exportações feitas pela Argentina.

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EUA aplicam Doutrina Powell para ajudar Haiti

Do Estadao.com/Roberto Godoy

Os Estados Unidos estão fazendo no Haiti o que sabem fazer melhor: ocupar, assumir, controlar. Decidida em Washington, a operação de suporte às vítimas da devastação, em 4 horas, tinha 2 mil militares mobilizados - e metade deles já seguia para Porto Príncipe - enquanto o resto do mundo apenas tomava conhecimento da tragédia.

É a Doutrina Powell, criada no fim dos anos 80 pelo então chefe do Estado-Maior Conjunto, general Colin Powell, aplicada em tempo de paz. Ela prevê que os EUA não devem entrar em ação a não ser com superioridade arrasadora. Segundo o Pentágono, no Haiti, o primeiro grupo a desembarcar no aeroporto instalou uma central eletrônica móvel capaz de substituir a torre de controle, arruinada.

Um time de engenharia iniciou a drenagem de um dos lados da pista e avaliou as rachaduras na cabeceira norte como irrecuperáveis a curto prazo. No sábado, oficiais americanos estavam no comando do tráfego aéreo. Os paraquedistas da 82.ª Divisão e os fuzileiros navais - o grosso dos 3,5 mil a 5 mil soldados das ações terrestres - são treinados para o combate e também para missões de resgate. Movimentam-se em helicópteros e veículos convertidos em ambulâncias leves. A retaguarda é poderosa. Um porta-aviões virou central logística e um navio-hospital de mil leitos chegou no domingo. Ontem, aviões dos EUA ocupavam 7 das 11posições de parada remanescentes no aeroporto.

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Forças americanas ampliam ações e ocupam sede do governo

Do Estadão

Numa cena carregada de simbolismo, cerca de 20 helicópteros Black Hawk aterrissaram ontem no gramado do palácio presidencial em Porto Príncipe, destruído pelo terremoto do dia 12, desembarcando soldados americanos, equipamento e caixas com garrafas de água e alimentos. A tomada do palácio reavivou lembranças da ocupação americana do Haiti (1915-34) e ao mesmo tempo esperanças de maior distribuição de alimentos e imposição da ordem na capital, assolada por saques. A expectativa foi reforçada por decisão da ONU de enviar reforços de 3,5 mil militares e policiais.

Agarrados às grades que circundam o palácio desocupado, centenas de haitianos saudaram os soldados americanos: "Grande! Ouça-os chegando." Outros criticaram a sua presença. "Não os vi distribuindo comida no centro da cidade, onde o povo necessita urgentemente de água, alimentos e medicamentos. Isso parece mais uma ocupação", disse aos repórteres o estudante Wilson Guillaume, de 25 anos. Depois do terremoto, o presidente René Préval instalou seu gabinete numa delegacia de polícia perto do aeroporto.

"Não gostaríamos de ver o desembarque militar estrangeiro em nosso país, mas, dada a terrível situação em que nos encontramos, a presença deles é necessária", ponderou Moline Augustin, que observava o movimento do lado de fora do palácio. "Estamos felizes que eles tenham chegado porque temos muitos problemas", disse o cabeleireiro Fede Felissaint. "Se quiserem, que fiquem por mais tempo do que em 1915."

Mais de 11 mil militares americanos estão no Haiti, em embarcações na costa ou a caminho do país. Os EUA afirmam que a principal missão dos soldados é humanitária, para participar e ajudar a proteger a enorme operação internacional de ajuda humanitária para as vítimas do terremoto. No entanto, comandantes americanos também têm dito que estão preparados para impor a segurança na capital, caso necessário. O comando das forças da ONU está a cargo do Exército brasileiro, que contribui com 1,3 mil dos 7 mil soldados da missão de paz.

Na segunda-feira, paraquedas levando 14,5 mil caixas de alimentos e 15 mil litros de água foram lançados por helicópteros americanos em uma área a 8 quilômetros do aeroporto de Porto Príncipe.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade um contingente extra de 2 mil militares e 1,5 mil policiais. Esses últimos se incorporarão à força policial internacional, que já conta com 2,1 mil integrantes. O reforço é destinado a conter os saques, que muitas vezes atrasam a distribuição da ajuda enviada, além de causar tumultos e violência na capital. O terremoto matou mais da metade dos 4,5 mil policiais haitianos, que foram reduzidos a 2 mil.

"Este envio contribuirá para a manutenção da paz e apoiará os esforços para ajudar na recuperação do Haiti", disse o presidente de turno do CS, o embaixador chinês Zhang Yesui. O responsável pelas Operações de Paz da ONU, Alain Leroy, ressaltou que os soldados enviados para o Haiti vão escoltar os comboios civis com a ajuda humanitária e assegurar uma distribuição "justa e ordenada".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reforçou o pedido para que a comunidade internacional continue ajudando o Haiti.

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