sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Doenças e saques viram o novo problema do Haiti

Da EFE/Jesús Sanchis

Organizações internacionais começaram a identificar o surgimento de doenças em Porto Príncipe, onde os trabalhos humanitários continuam e os comerciantes do centro da cidade tentam desesperadamente salvar suas mercadorias dos saqueadores.
Infecções respiratórias, diarreias, problemas dermatológicos e casos de tétano e meningite já foram detectados, disse a representante de Saúde da Cruz Vermelha no Haiti, Beatriz Karottki.

Passados dez dias desde o terremoto, diminuiu um pouco o número de feridos com traumatismos e órgãos a serem amputados. Por outro lado, começaram surgir problemas de saúde relacionados a desidratação e infecções, comuns após grandes catástrofes.

O dia a dia em Porto Príncipe também começa a voltar ao normal. O comércio abriu as portas, equipes de limpeza já trabalham em algumas localidades e, após dias de ajuda no socorro às vítimas, até as forças de paz da ONU estão retomando sua atividade principal: a segurança.

No centro da capital, porém, alguns comerciantes, com medo da onda de saques, decidiram esvaziar seus estabelecimentos e levar toda a mercadoria para outro lugar.

Por causa do terremoto da semana passada, centenas de pessoas reviram todos os dias as lojas destruídas da parte central de Porto Príncipe em busca de algo para comer ou vender.

Michel, dono de um armazém que vende tecidos, brinquedos e artigos para o lar, levou hoje um de seus empregados para esvaziar o local, caso contrário o estabelecimento em breve virará alvo dos saqueadores.

Enquanto ajudava a colocar as mercadorias em um caminhão estacionado em frente à loja, Michel manifestou seu mal-estar em relação à passividade da comunidade internacional diante das cenas de roubo, saques e violência.

"Eu esperava que a ONU fosse enviar ajuda para dar segurança a esta região, mas, dez dias depois (do tremor), só há uma patrulha da Polícia estacionada na entrada da rua", comentou o comerciante, que do seu armazém via grupos de jovens saindo de estabelecimentos próximos carregados de produtos roubados.


"Isto é muito duro. Não tenho nenhum projeto nem sei o que vou a fazer. Esta frustração nos desmotivou. A única coisa que posso fazer é tirar o que há dentro do armazém", disse o lojista, que há 30 anos ocupa o mesmo ponto.

Vários outros comerciantes tomaram a mesma decisão que Michel e levam embora suas mercadorias para evitar que sejam roubadas.

"Se não tirarmos, olha o que acontece", disse outro empresário apontando para o alto, onde um grupo percorria o teto de seu estabelecimento em busca do que quer que seja.

Mas, ao contrário de Michel, este comerciante, que preferiu não se identificar, não tem críticas contra a polícia, que "faz o que pode".

"Mas quem me vai me dar crédito nestas circunstâncias? A menos que a comunidade internacional conceda financiamento (...). É muito difícil recomeçar", reclamou o atacadista, que vendia materiais para a fabricação de sapatos.

Quando parados pela polícia, os saqueadores dizem que o que carregam em suas bolsas é de sua propriedade. Mas, em uma destas interceptações, quando os agentes foram embora, um grupo admitiu que os perfumes, cremes e cosméticos que transportavam eram de lojas da região.

Os saqueadores estão por todos os lados, rastejam pelos buracos entre os escombros e percorrem os tetos dos estabelecimentos.

Em um deles, três jovens que não quiseram dar seu nome reconheceram que estavam em busca de algo para roubar. Porém, disseram que hoje foi um dia ruim, já que não encontraram muita coisa. A conversa acabou de repente, quando dois estampidos foram ouvidos e todos começaram a correr de disparos da "polícia má", como outro jovem se referiu às forças de ordem.

Jean Martín, de 22 anos e com o rosto coberto até os olhos, disse que não há nada a fazer, a não ser revirar os escombros em busca de algo.

"Tenho muitos problemas. Sinto fome. Você entende? Tenho que salvar minha vida. Minha mãe morreu no terremoto, meu pai está desaparecido e agora estou só", declarou.

"Aí (debaixo dos escombros) há muita coisa: comida, roupa..., o que quiser. A polícia não causa problemas (porque) sabe que temos que comer", acrescentou.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Cristina Kirchner cancela viagem à China por não confiar em seu vice

Do Estadão/Ariel Palacios

Visivelmente irritada, a presidente Cristina Kirchner anunciou ontem o cancelamento de uma importante viagem à China e outra à Bolívia porque não pretende deixar a presidência - mesmo que temporariamente - nas mãos de seu vice, Julio Cobos, ao qual chamou de "líder da oposição", além de acusá-lo de "obstruir medidas" do governo.

Cobos rompeu com a presidente há 18 meses. Gradualmente o vice passou às fileiras da oposição, da qual atualmente é o presidenciável melhor cotado. "Essa viagem me obrigaria a ficar dez dias fora, tempo muito, levando em conta que o vice-presidente não cumpre seu papel", disse Cristina. Segundo ela, Cobos poderia aproveitar sua ausência adotar alguma medida que "tenderia a desestabilizar" o país. Especulava-se ontem em Buenos Aires se a presidente deixará de viajar ao exterior para evitar que Cobos ocupe a presidência nos dois anos que restam de governo.

Nos últimos dias o protagonismo de Cobos cresceu com a crise desatada pela tentativa de intervenção da presidente no Banco Central, que havia destituído por decreto o presidente do BC. A medida foi cancelada pela Justiça.

Com a suspensão da viagem fica cancelada a missão empresarial que acompanharia a presidente à China, o terceiro maior mercado das exportações feitas pela Argentina.

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EUA aplicam Doutrina Powell para ajudar Haiti

Do Estadao.com/Roberto Godoy

Os Estados Unidos estão fazendo no Haiti o que sabem fazer melhor: ocupar, assumir, controlar. Decidida em Washington, a operação de suporte às vítimas da devastação, em 4 horas, tinha 2 mil militares mobilizados - e metade deles já seguia para Porto Príncipe - enquanto o resto do mundo apenas tomava conhecimento da tragédia.

É a Doutrina Powell, criada no fim dos anos 80 pelo então chefe do Estado-Maior Conjunto, general Colin Powell, aplicada em tempo de paz. Ela prevê que os EUA não devem entrar em ação a não ser com superioridade arrasadora. Segundo o Pentágono, no Haiti, o primeiro grupo a desembarcar no aeroporto instalou uma central eletrônica móvel capaz de substituir a torre de controle, arruinada.

Um time de engenharia iniciou a drenagem de um dos lados da pista e avaliou as rachaduras na cabeceira norte como irrecuperáveis a curto prazo. No sábado, oficiais americanos estavam no comando do tráfego aéreo. Os paraquedistas da 82.ª Divisão e os fuzileiros navais - o grosso dos 3,5 mil a 5 mil soldados das ações terrestres - são treinados para o combate e também para missões de resgate. Movimentam-se em helicópteros e veículos convertidos em ambulâncias leves. A retaguarda é poderosa. Um porta-aviões virou central logística e um navio-hospital de mil leitos chegou no domingo. Ontem, aviões dos EUA ocupavam 7 das 11posições de parada remanescentes no aeroporto.

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Forças americanas ampliam ações e ocupam sede do governo

Do Estadão

Numa cena carregada de simbolismo, cerca de 20 helicópteros Black Hawk aterrissaram ontem no gramado do palácio presidencial em Porto Príncipe, destruído pelo terremoto do dia 12, desembarcando soldados americanos, equipamento e caixas com garrafas de água e alimentos. A tomada do palácio reavivou lembranças da ocupação americana do Haiti (1915-34) e ao mesmo tempo esperanças de maior distribuição de alimentos e imposição da ordem na capital, assolada por saques. A expectativa foi reforçada por decisão da ONU de enviar reforços de 3,5 mil militares e policiais.

Agarrados às grades que circundam o palácio desocupado, centenas de haitianos saudaram os soldados americanos: "Grande! Ouça-os chegando." Outros criticaram a sua presença. "Não os vi distribuindo comida no centro da cidade, onde o povo necessita urgentemente de água, alimentos e medicamentos. Isso parece mais uma ocupação", disse aos repórteres o estudante Wilson Guillaume, de 25 anos. Depois do terremoto, o presidente René Préval instalou seu gabinete numa delegacia de polícia perto do aeroporto.

"Não gostaríamos de ver o desembarque militar estrangeiro em nosso país, mas, dada a terrível situação em que nos encontramos, a presença deles é necessária", ponderou Moline Augustin, que observava o movimento do lado de fora do palácio. "Estamos felizes que eles tenham chegado porque temos muitos problemas", disse o cabeleireiro Fede Felissaint. "Se quiserem, que fiquem por mais tempo do que em 1915."

Mais de 11 mil militares americanos estão no Haiti, em embarcações na costa ou a caminho do país. Os EUA afirmam que a principal missão dos soldados é humanitária, para participar e ajudar a proteger a enorme operação internacional de ajuda humanitária para as vítimas do terremoto. No entanto, comandantes americanos também têm dito que estão preparados para impor a segurança na capital, caso necessário. O comando das forças da ONU está a cargo do Exército brasileiro, que contribui com 1,3 mil dos 7 mil soldados da missão de paz.

Na segunda-feira, paraquedas levando 14,5 mil caixas de alimentos e 15 mil litros de água foram lançados por helicópteros americanos em uma área a 8 quilômetros do aeroporto de Porto Príncipe.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade um contingente extra de 2 mil militares e 1,5 mil policiais. Esses últimos se incorporarão à força policial internacional, que já conta com 2,1 mil integrantes. O reforço é destinado a conter os saques, que muitas vezes atrasam a distribuição da ajuda enviada, além de causar tumultos e violência na capital. O terremoto matou mais da metade dos 4,5 mil policiais haitianos, que foram reduzidos a 2 mil.

"Este envio contribuirá para a manutenção da paz e apoiará os esforços para ajudar na recuperação do Haiti", disse o presidente de turno do CS, o embaixador chinês Zhang Yesui. O responsável pelas Operações de Paz da ONU, Alain Leroy, ressaltou que os soldados enviados para o Haiti vão escoltar os comboios civis com a ajuda humanitária e assegurar uma distribuição "justa e ordenada".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reforçou o pedido para que a comunidade internacional continue ajudando o Haiti.

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Prefeito de Inajá desiste de renunciar

Do Parana-OnLine/Leonardo Coleto

A distribuição de boletins pela cidade da noite para o dia contra o prefeito de Inajá (Noroeste do Estado), Nilson Camargo Monteiro (PMDB), que o levou a apresentar, na Câmara Municipal, pedido de renúncia na tarde da última segunda-feira, não deu resultado.

Por conta do apelo popular, do pedido dos nove vereadores da cidade e de prefeitos de municípios vizinhos, Monteiro decidiu voltar ao cargo terça-feira. No entanto, fez uma imposição: pediu 60 dias de férias, para descansar do desgaste.
Nesse período a prefeitura de Inajá, que tem três mil habitantes, ficará nas mãos do vice de Monteiro, Alcides Elias Fernandes (PP). Monteiro explicou que as ofensas contra sua família no boletim atingiram seu ponto fraco.

“Esse é meu quarto mandato como prefeito de Inajá. Nunca tive uma prestação de contas reprovada, mas acredito que esse boletim foi feito por pessoas que estão descontentes com minha administração. Citar e envolver minha família foi a gota d’água”, disse.

No entanto, Monteiro garante que vai estar à frente da prefeitura até o termino de seu mandato. “Firmei um compromisso com a população. Por isso vou ficar na prefeitura até o final da minha administração. Quanto ao futuro ainda não sei, vamos aguardar para ver o que ainda poderá acontecer esse ano”, diz.

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PF deflagra ação contra desvio de verbas em três Estados

Da Agência Estado

Agentes da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) deflagraram hoje a Operação Pathos e para cumprir 30 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; Sorocaba, Santo André, Tatuí, Votorantim e capital paulista, em São Paulo; e Recife, em Pernambuco. O objetivo é desbaratar e coletar provas que confirmem os indícios da existência de uma organização criminosa especializada em desviar dinheiro público destinado, principalmente, à área da saúde.

Segundo a PF, teriam sido desviados aproximadamente R$ 400 mil mensais, além de haver indícios da apropriação de mais R$ 4 milhões que estariam depositados como provisão para encargos trabalhistas, 13º salário e férias, totalizando, no entender do MPF, um prejuízo de mais de R$ 9 milhões aos cofres públicos municipal e federal.

Segundo as investigações, empresários e agentes públicos se associaram para praticar crimes contra a Administração Pública, como o peculato doloso e/ou culposo e emprego irregular de verbas públicas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro.

Foram apurados indícios de irregularidades praticadas por agentes públicos e pelos responsáveis legais de uma entidade privada qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), contratada, mediante Termo de Parceira e sem licitação, pela Prefeitura de Porto Alegre para prestar serviços nas áreas de atuação das Unidades Básicas de Saúde relacionadas ao Programa da Saúde da Família.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Número de vítimas do terremoto no Haiti sobe para 75 mil

Da AFP

O terremoto de 12 de janeiro no Haiti deixou 75 mil mortos, 250 mil feridos e um milhão de desabrigados, anunciou a Defesa Civil haitiana nesta terça-feira.

O balanço anterior, fornecido domingo pelo secretário de Estado para a Alfabetização, Carol Joseph, mencionava 70 mil mortos.

O Haiti precisa desesperadamente de alojamentos para os desabrigados, água, alimentos e equipamentos médicos, destacou a Direção da Proteção Civil em comunicado.

Metade dos edifícios de Porto Príncipe e seus arredores foram destruídos no terremoto, segundo a mesma fonte.

A seguir, veja mais imagens da tragédia.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sete empresas têm interesse na revitalização da Rua 24 horas

Da SCMS

A Rua 24 horas, localizada no Centro de Curitiba, está desativada desde setembro de 2007, mas a novela envolvendo a primeira rua comercial coberta do País ganhou mais um capítulo nesta terça-feira. Isso porque sete empresas apresentaram propostas à prefeitura para a revitalização da rua.

A previsão inicial é de que a escolha do responsável pelas obras saia em dois meses. As empresas interessadas na reforma são do ramo de construção e engenharia. O projeto foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e o custo estimado é de R$ 4,5 milhões.

A comissão de licitação vai analisar a documentação de habilitação das empresas, com os dados técnicos e contábeis apresentados, e verificará quais delas atenderam a todas as exigências do edital da licitação, assinado pelo prefeito Beto Richa no dia 8 de dezembro.

"É uma obra de 4,5 milhões de reais, com projeção para 10 meses de trabalho, devido às restrições existentes na região. Mas vamos finalmente revitalizar e dar nova utilidade à Rua 24 Horas", disse o prefeito.

Futuro

A Prefeitura vai resgatar a Rua 24 Horas como um dos ícones da cidade. O projeto, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc) prevê a reforma e restauro da Rua - criada há 18 anos - com implantação de café, livraria, agência de correios, central de turismo e espaço cultural.

Um dos diferenciais da nova 24 Horas, que será reformada e gerenciada pela Urbs, Urbanização de Curitiba S/A, é que não haverá pressão pelo retorno financeiro, uma vez que o investimento está sendo feito pelo município, com o objetivo de transformá-la num amplo espaço de cultura, turismo e serviços para a população curitibana e visitantes da cidade.

A reforma mantém as características arquitetônicas da Rua, criada em 1991. O novo espaço terá uma área de funcionamento 24 horas, destinada a livraria e serviços bancários.

Uma das novidades é que a Rua será ponto de chegada e saída da Linha Turismo que registra, em média, 50 mil passagens por mês. Além da linha especial de ônibus, o turista encontrará ainda na rua 24 horas uma série de outros serviços, como informações sobre a cidades e vendas de artesanato e produtos regionais. A 24 Horas terá também espaço para manifestações culturais, como exposições de arte e apresentações de grupos folclóricos.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lúcia Hipólito erra a dose e tropeça ao criticar Lula

No Blog do Fábio Campana

"Acontece com os melhores cronistas. Desta vez foi com a inteligentíssima Lúcia Hipólito, que não calculou bem o tempo depois do gole e ficou zonza. Tropeçou ao criticar Lula. A galera do PT adorou."

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Haitianos ainda esperam ajuda prometida pelo mundo após tremor

Da Reuters/Yahoo!/Andrew Cawthorne e Catherine Bremer

Líderes mundiais prometeram ajuda para reconstruir o Haiti, mas nas ruas da capital destruída os sobreviventes do terremoto ainda esperam por comida, água e medicamentos.

Quatro dias depois do terremoto que matou até 200 mil pessoas, equipes de resgate internacionais ainda estavam encontrando pessoas vivas debaixo dos escombros de prédios em Porto Príncipe.

Centenas de milhares de haitianos famintos esperam desesperadamente por ajuda, mas problemas logísticos não deixam que a maior parte da ajuda chegue às vítimas, muitas abrigadas em acampamentos improvisados nas ruas, em meio a destroços e corpos em decomposição.

Na ausência generalizada de autoridade, saqueadores invadiram lojas destruídas no principal bairro comercial da cidade, levando camisetas, malas, brinquedos e tudo o mais que puderam encontrar. Houve luta entre grupos de saqueadores, que portavam facas, picadores de gelo, martelos e pedras.

Muitos haitianos saíram da cidade a pé ou em carros lotados para tentar encontrar alimentos e abrigos no interior e para fugir da violência. Vários outros lotaram o aeroporto na esperança de entrar nos aviões, que saíram lotados de haitianos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu ajuda enquanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, voava para o Haiti, onde o governo ainda em choque deu aos EUA controle sobre o congestionado aeroporto para que cuide dos voos humanitários que chegam de todo o mundo.

"Vamos seguir adiante com um dos maiores esforços de ajuda da nossa história a fim de salvar vidas e entregar ajuda para evitar uma catástrofe ainda maior", disse Obama, ao lado dos ex-presidentes George W. Bush e Bill Clinton.

CAOS

Mas nas ruas de Porto Príncipe, onde raras patrulhas da polícia disparam tiros ocasionais e gás lacrimogêneo para dispersar saqueadores, a distribuição de ajuda parece ser feita ao acaso e de maneira caótica e mínima.

No centro da cidade, jovens eram vistos com armas de fogo. E membros de gangues fortemente armadas, que já controlaram a maior favela do Haiti, Cité Soleil, voltaram como senhores da guerra depois que o terremoto destruiu a Penitenciária Nacional, permitindo que 3 mil detentos fugissem.

"É natural que eles voltem para cá. Esse sempre foi o bastião deles", disse um policial haitiano em uma favela que abriga mais de 300 mil pessoas.

Houve briga por comida e água quando helicópteros do Exército dos EUA jogaram caixas de água engarrafada e rações.

"A distribuição é totalmente desorganizada. Eles não estão identificando as pessoas que precisam de água. Os doentes e idosos não têm nenhuma chance", disse Estime Pierre Deny, no meio da multidão.

Quatro dias depois do terremoto de magnitude 7, tremores adicionais foram sentidos a cada hora na capital, aterrorizando os sobreviventes e derrubando os poucos prédios que ainda estavam de pé.

Destacando a necessidade de manter os esforços de resgate, uma equipe russa tirou duas meninas haitianas ainda vidas, Olon Remi, de 9 anos; e Senviol Ovri, de 11; das ruínas de uma casa no sábado.

Equipes de resgate dos EUA trabalharam a noite toda para desenterrar sobreviventes de um supermercado, onde cerca de 100 pessoas podem estar presas. Eles estavam quase desistindo quando ficaram sabendo que uma caixa do supermercado conseguiu falar por telefone com alguém em Miami para dizer que ela ainda estava viva.

O ministro do Interior, Paul Antoine Bien-Aime, disse que cerca de 50 mil corpos já foram coletados e que o total de mortos pode ficar entre 100 mil e 200 mil.


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